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Pablo Ortellado: 'Não dá para achar que metade dos brasileiros é fascista e metade é ladrão'

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Pablo Ortellado comentou o cenário político e social das eleições deste ano

Pablo Ortellado comentou o cenário político e social das eleições deste ano

Fonte: Jovem Pan

Professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado foi ao Pânico nesta quarta-feira (10) e lamentou que o Brasil só tenha dois discursos desde as eleições de 2014. “Um lado diz que o PT é uma quadrilha que roubou o Estado brasileiro. O outro lado diz que esses caras que dizem isso não são contra a corrupção, são contra os pobres e querem impedir a ascensão social que aconteceu no governo Lula”, comparou. “Eles estão falando que um lado inteiro é corrupto e um lado inteiro odeia pobre. Não dá para achar que metade dos brasileiros é fascista e metade é ladrão.”

Ortellado acredita que os defensores de ambos os lados políticos estão cada vez mais intransigentes. “As famílias não estão conseguindo se unir, os amigos cortando relação”, disse. “Se continuar nessa onda, a gente olha pro futuro e o futuro não é bonito”, lamentou.

Falando sobre os ânimos exaltados de ambos os lados, o filósofo disse que a comparação do cenário político a um Fla-Flu não é a mais correta. “A identidade política é pior que a do futebol”, afirmou. “O corintiano e o palmeirense se sacaneiam, mas continuam tomando cerveja juntos. O cara que vota no Bolsonaro e o que vota no PT não se falam mais”, explicou.

Para ele, isso acontece porque o militante acredita sempre estar defendendo as posições certas. “Quando eu estou falando de política, eu realmente acho que minha posição é a verdade e o outro cara é um fanático maluco”, disse. “O discurso está muito intransigente e as coisas estão ficando mais graves”, alertou.

Redes sociais

O filósofo também analisou o papel das redes sociais no cenário político. “Quando você posta uma coisa política, você vai ser referendado ou negativado”, explicou, dizendo que isso faz com que todo mundo seja obrigado a marcar uma posição. “Quem é meio reflexivo, independente, é atacado pelos dois lados. Isso empurra todo mundo pros dois extremos”, afirmou.

Com base em estudos da USP, Pablo Ortellado garante que apenas 15% da população realmente se importa com política, e isso se reflete nas redes sociais. “O brasileiro, em média, tem 200 contatos na rede social, e desses 200, 30 estão obcecados por política, então ele só vê esses caras falando”, explicou. “Tem muita gente moderada, mas essas vozes estão sendo silenciadas. Esses caras estão falando muito e muito alto, eles têm instrumentos para calar quem discorda deles.”

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